SILÊNCIO

A certas horas da noite
A cidade silencia,
Há um murmúrio muito vago
No silêncio que se cria.

Parece que o tempo pára
E paira na poesia
No instante de silêncio
Que a inspiração inicia.

E as mãos então se debruçam
Sobre a mesa, no teclado,
Deitando ali o pensamento,
Que vem vindo com cuidado.

Letra após letra, palavras,
E o texto escoando vai,
Ocupando seu espaço
No ritmo que ele sai.

É a íntima mudez da hora,
É o sono do vento,
A reflexão agora,
É momento em movimento.

Mas o silêncio profundo
Não nasce no mundo,
Nasce no âmago do ser,
Naquele vão onde se pode ver;

Que o silêncio é preciso,
Preciosa meditação,
Nele habita a alegria
E as coisas do coração.

Onde falamos com Deus
Em sincera emoção,
Num segredo bem guardado,
Em silenciosa oração.


Márcia Bisso do Amaral


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